O Bitcoin não substituirá o dinheiro atual tão rapidamente, dizem analistas

Nos últimos tempos, tivemos um grande boom e um sobe e desce de preços avassalador no mercado das criptomoedas. Sempre ficamos vendo e ouvindo matérias “O Bitcoin vai cair”, “O Bitcoin vai subir” e também tem aquele anúncio do YouTube que dize que se você não assistir ao vídeo, você vai perder dinheiro com criptomoedas.

A maioria dos evangelistas afirma que o Bitcoin será o sucessor lógico da moeda fiduciária (nosso dinheiro de hoje). Os seus detratores apontam sua volatilidade e potencial uso criminoso por terroristas, hackers e cartéis de drogas como o seu túmulo.

Porém, independente do lado que você esteja, está cada vez mais claro que o Bitcoin, mesmo que tentasse e se esforçasse bastante, ele não irá substituir o dinheiro que utilizamos hoje tão rapidamente como muitos pensam.

Segundo o UBS, um banco de investimentos suíço, o Bitcoin tem de eliminar um dos dos dois de seus principais obstáculos para tornar-se uma opção viável de moeda. O estudo aponta que o seu preço precisaria atingir a casa dos US$ 213.000 ou as suas capacidades de rede precisariam de melhorias consideráveis, para não dizer drásticas.

Para o UBS, “Nossas descobertas sugerem que o Bitcoin em sua forma atual é muito instável e limitado para tornar-se um meio de pagamento para transações globais ou uma classe de ativos dominante”.

Além da volatilidade, é o ritmo relativamente lento em que o Bitcoin processa os pagamentos que levam à visão reduzida de seu potencial. Enquanto a Visa e a MasterCard contam com processos de pagamento que podem lidar com mais de 5.000 transações por segundo, o Bitcoin avança, muitas vezes levando vários minutos para processar uma única transação. O Ehtereum oferece mais potencial aqui, mas ainda se move a passo de caracol (15 segundos por transação).

Bitcoin saindo do bolso de uma calça.
Fonte: Pixabay

Infelizmente para os fiéis do Bitcoin, não são apenas as velocidades baixas em que os pagamentos são processados ​​e confirmados. De acordo com a Chainalysis Inc., a demanda especulativa foi responsável por mais de 70% de todas as alterações nos preços, apontando para um mercado liderado por investimento especulativo, não o valor subjacente – o que quer que isso signifique para uma moeda digital – da própria classe de ativos.

Pior, podemos já ter atingido o pico do Bitcoin, pelo menos como moeda. Além de um “mercado de urso” (bear marketing) que consumiu 70% do valor da criptomoeda no início deste ano, a afinidade parece estar diminuindo. Após o pico em setembro do ano passado, o uso do Bitcoin no comércio reduziu-se a cada mês desde então. Nada disso é um bom argumento para substituir a moeda fiduciária, como você, presumivelmente, teria que usá-la para comprar algo em algum momento – o que é dificultado com sua alta volatilidade e um declínio no interesse de utilizar o Bitcoin para pagar as coisas. .

Então, o que resta? Não muito. Ainda pode ser considerado um ativo digital, como o ouro da internet. Embora até mesmo isso seria um ativo altamente volátil que é realmente atraente apenas para investidores especulativos.

O Bitcoin está morto? Claro que não. Como acontece com qualquer moeda digital, as coisas podem mudar em um piscar de olhos. Melhorias na tecnologia subjacente podem acelerar consideravelmente os pagamentos – como vimos quando a “Lightning Network” do Bitcoin foi ao ar no início deste ano. Ou, e isso pode ser difícil de acreditar, dado seu início terrível em 2018, o Bitcoin pode realmente chegar a essa marca mágica de 213.000 dólares, um número que, presumivelmente, aliviaria parte do atrito, nos direcionando a um ativo menos volátil.


Fonte principal: TheNextWeb
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