Chineses utilizam blockchain para alertar sobre vacinas inseguras

Houve um escândalo recente na China sobre vacinas adulteradas. Um cidadão revelou a notícia num post na internet, mas logo derrubaram o post. Resultado? Registraram a notícia na íntegra no blockchain no Ethereum. E agora ninguém pode fazer nada para apagar a informação. E qualquer um pode lê-la.

O escândalo das vacinas na China

A China encontra-se envolvida em um novo escândalo. E desta vez não são os embates de mercado junto ao presidente Donald Trump ou as acusações de que a China realize trabalho escravo. Desta vez o assunto está relacionado a vacinas.

No último fim de semana soubre-se quem um fabricante de medicamentos,  a Changchun Changsheng Biotechnology estaria vendendo vacinas inseguras ou adulteradas. Tal situação causou um verdadeiro alvoroço entre os cidadãos chineses conforme reportado pelo site Futurism.

Lá, um blogueiro sob o pseudônimo de “Besta” (爷 爷 shouye) foi um dos primeiros a revelar a história. Ele utilizou um artigo investigativo para disseminar a denúncia. O artigo se tornou viral após publicado na rede social chinesa WeChat (O Facebook de lá).

Censura versus blockchain

Logo após a publicação, os mecanismos de busca chineses trataram de excluir a história em questão de horas. Rapidamente eles removeram qualquer indícios de reportagens e afins. Porém, os usuários de internet chineses descobriram uma maneira genial de manter a história publicada e fora do alcance da censura do país: adicionaram a matéria dentro de uma blockchain.

Adicionar o artigo em uma blockchain foi relativamente simples. Um usuário enviou a si próprio uma quantia de cerca de 0,47 dólares americanos de um ativo digital (criptomoeda). Ele publicou o artigo na íntegra nos metadados da transação – há um campo em cada transação onde você pode fazer anotações ou outras informações.

Como a blockchain do Ethereum é um livro público, qualquer pessoa pode visualizar a transação e ler o artigo incluído nela. Este livro-razão é descentralizado, assim, não há como as autoridades chinesas ou qualquer autoridade no mundo tenham chance de remover o artigo.

Este uso genial da blockchain foi inicialmente detectado pelo site chinês especializado em tecnologia chamado Technode. Mas esta não é a primeira vez que os cidadãos chineses se utilizam de tecnologia blockchain para compartilhar conteúdo que já fora removido pelos censores locais. Em abril, uma estudante publicou uma carta aberta fornecendo detalhes sobre as ameaças que recebeu por tentar obter informações de sua universidade sobre um caso de agressão sexual. Depois que a censura do país removeu a carta, os alunos a adicionaram dentro do blockchain da Ethereum, onde ela ainda permanece. Há outros casos onde este tipo de recurso – inserção de dados na blockchain, não foi utilizado para princípios tão nobres.

Blochchain

A internet na China

A internet na China é bastante diferente da que se utiliza aqui no ocidente. De acordo com várias organizações de direitos humanos, o país emprega mais de 40.000 monitores ou censores de internet. O único trabalho deles é o de garantir que as informações que o governo não deseja serem expostas fiquem de fora da internet. Lá, os cidadãos chineses são impedidos de utilizarem o Google, Facebook e outros sites bastante comuns no ocidente. Eles também não podem acessar sites que contenham notícias chinesas no exterior ou utilizar-se de palavras que o governo não aprova (a palavra “discordar”, por exemplo, não pode ser utilizada no site Weibo, um mix de Twitter/Facebook da China).

Ao utilizar-se da blockchain desta nova maneira, os cidadãos chineses podem ter tido finalmente a chance de discordar e de se expressar fora das paredes do governo.

 


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